MENSAGEM DO COORDENADOR
Em 1984, em Araxá/MG, era criada a Reunião de Pesquisa Aplicada em Doença de Chagas. Estabelecia-se, a partir de então, um espaço inovador de articulação entre pesquisadores e gestores da área da saúde em busca da tradução do conhecimento científico em práticas orientadas para o controle daquela doença. Em 1997, já acontecendo na "nossa" Uberaba/MG, a Reunião se amplia agregando pesquisadores, estudantes e profissionais dedicados à busca de estratégias custo-efetivas para conter a disseminação das leishmanioses para as diferentes regiões do país. Estes já célebres encontros, marcados por sua excelência acadêmica e agradável convívio social, representam a institucionalização de um espaço de debate efetivo que une a ciência com as políticas de saúde pública para o controle de doenças. Os desafios impostos para o controle da doença de Chagas e das leishmanioses foram e continuam imensos. Em relação à doença de Chagas, ao mesmo tempo em que o centenário de sua descoberta marca uma série de conquistas, como a "Certificação Internacional de Eliminação da Transmissão da Doença de Chagas pelo Triatoma infestans" e o declínio do número de casos agudos da doença, vive-se um momento crítico, em que a doença está perdendo sua visibilidade e interesse, ainda que ela persista como um importante problema de saúde pública para a população brasileira e mundial, atingindo cerca de 10 milhões de pessoas. Hoje, para a consolidação dos avanços já alcançados, torna cada vez mais necessário fortalecer os sistemas de vigilância para identificação precoce de novas situações de risco e áreas prioritárias de intervençao, garantir acesso universal ao tratamento assim como desenvolver novos testes diagnósticos, novas abordagens e regimes terapêuticos e estratégias preventivas.
Já em relação as leishmanioses, o panorama epidemiológico não deixa dúvidas sobre a gravidade da situação e a franca expansão destes agravos. De particular interesse, destaca-se o paulatino processo de urbanização da leishmaniose visceral, que vem desafiando pesquisadores e profissionais da área de saúde. Apesar de todos os esforços, as medidas de controle têm sido insuficientes para impedir a disseminação da doença. A introdução da leishmaniose visceral nas cidades configura uma realidade epidemiológica diversa daquela previamente conhecida, requerendo uma nova racionalidade para os sistemas de vigilância e de controle. São necessários mais estudos para o desenvolvimento de novas drogas, regimes terapêuticos e protocolos de manejo clínico. Estudos de efetividade das ações de controle devem ser sustentados em bases metodológicas sólidas; é preciso investir em táticas integradas de intervenção estruturadas de acordo com os diferentes cenários de transmissão e preferencialmente focalizando áreas de maior risco. Realce deve ser dado à produção e validação de novos testes diagnósticos. Pesquisas que levem a vacinas efetivas para proteger o indivíduo e diminuir a transmissão são prioritárias. Investigações para solucionar os entraves operacionais na implementação das ações de prevenção também devem ser estimuladas.
Historicamente esta comunidade de pesquisadores, estudantes e profissionais de saúde que frequenta "a Reunião de Uberaba" compartilha a ideia de que lhe cabe a responsabilidade de ter não somente uma vida acadêmica de excelência, mas também o compromisso social de participar das decisões que buscam evitar que estas doenças permaneçam definitivamente como mazelas sanitárias no cotidiano da população brasileira. Para isto, é necessário reconhecer que há ainda imensas lacunas no conhecimento sobre estas doenças. Por esta razão, em 2010, foi proposto o tema "Desenvolvimento científico-tecnológico e inovação em saúde: bases para o estabelecimento de novos paradigmas no controle da Doença de Chagas e das leishmanioses nas Américas" para esta Reunião.
Para mim é uma honra ter sido agraciado com a missão de organizar esta Reunião. Minha história aqui é ainda recente, são apenas oito anos de participação, mas tempo suficiente para ter eleito este forum como aquele para o qual sempre minha agenda estará reservada. Agradeço aos membros das comissões organizadora e científica, aos colegas, estudantes e equipe de apoio, aos convidados e demais participantes, pelo entusiasmo e disponibilidade em auxiliar na organização do evento. Também agradeço o apoio da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz, de todas instituições parceiras e das agências de fomento. Em particular gostaria de agradecer à Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e aos colegas que confiaram a mim a organização desta Reunião,
Desejo a todos uma produtiva e agradável Reunião!
Guilherme Werneck

